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sábado, 3 de junho de 2017

Como a Mídia inventa “ repressão” na Venezuela.

            por Thierry Deronne

Enfiemo-nos na pele de uma pessoa que apenas dispusesse dos meios de comunicação diário para se informar sobre a Venezuela e que dia após dia se falasse de ‘manifestantes’ e “repressão”. Como não entender que essa pessoa acreditasse que a população está na rua e que o governo a reprime?

Porém, não há nenhuma revolta popular na Venezuela. Apesar da guerra econômica a grande maioria da população vai para as suas ocupações, trabalha, estuda, sobrevive. É por isso que a direita organiza as suas marchas com início nos bairros ricos. É por isso que recorre à violência, ao terrorismo e se localiza nos municípios de direita. Os bairros venezuelanos são em 90%, bairros populares. Compreende-se a enorme lacuna: os media transformam as ilhas sociológicas das camadas ricas (alguns % do território) em “Venezuela”. E 2% da população em “população”. [1]

A ex-presidente argentina Cristina Fernandez, depois de Evo Morales, denunciou: “a violência é utilizada na Venezuela como metodologia para alcançar o poder e derrubar um governo” [2]. Do Equador, o ex-presidente Rafael Correa recordou que “a Venezuela é uma democracia. É através do diálogo, com eleições, que devem ser resolvidas as diferenças. Muitos casos de violência vêm claramente dos partidos da oposição [3]. Esta também é a posição do Caricom, que inclui os países do Caribe [4]. O papa Francisco teve que incitar os bispos da Venezuela que, como no Chile em 1973, arrastavam os pés face ao diálogo nacional proposto pelo Presidente Maduro [5]. Este lançou o processo participativo para a Assembleia Constituinte, e confirmou a eleição presidencial legalmente prevista para 2018.

Assembleia Popular. Desde o desaparecimento de Hugo Chávez, em 2013, a Venezuela é vítima de uma guerra económica que visa privar a população de bens essenciais, principalmente alimentos e medicamentos. A direita local reúne certos elementos da estratégia implementada no Chile pela dupla Nixon-Pinochet, claramente para causar a exasperação dos setores populares e legitimar a própria violência. De acordo com o relatório do orçamento 2017 colocado no site do Departamento de Estado [6]. Foram entregues 5,5 milhões de dólares à “sociedade civil” da Venezuela. O jornalista venezuelano Eleazar Diaz Rangel, editor do diário Últimas Notícias (centro-direita) revelou trechos do relatório que o Almirante Kurt Tidd, chefe do comando Sul, enviou para o Senado dos EUA: “com a política do MUD (coligação da oposição venezuelana) estabelecemos uma agenda comum, que inclui um cenário duro, combinando ações de rua e dosificando o emprego da violência a partir da perspectiva de cerco e asfixia.” [7]

A fase insurrecional implica atacar os serviços públicos, escolas, maternidades (El Valle, El Carrizal), instituições de saúde, bloquear ruas e artérias principais para bloquear a distribuição de alimentos e paralisar a economia. Através da mídia privada, a direita apela abertamente aos militares para realizarem um golpe de Estado contra o Presidente eleito [8]. Mais recentemente os bandos paramilitares colombianos passaram do papel de formadores para um papel mais ativo: o corpo sem vida de Pedro Josué Carrillo, militante chavista, acaba de ser encontrado no Estado de Lara, com marcas de tortura típicas do país de Uribe [9] .

Apesar dos morteiros, armas, granadas ou coquetéis Molotov usados por manifestantes “pacíficos”; (sem esquecer as efígies de chavistas enforcadas em pontes, assinatura dos paramilitares colombianos), a lei proíbe a polícia ou a guarda nacional de usar as armas de fogo. Manifestantes da direita aproveitam a oportunidade para forçar a sua vantagem e evidenciam o seu ódio sobre guardas ou polícia, provocá-los com jactos de urina, excrementos e disparos com balas reais, observando a reação das câmaras da CNN.

Elementos das forças de segurança que desobedeceram e foram culpados de ferimentos ou mortes de manifestantes foram presos e processados [10]. O fato é que a grande maioria das vítimas são trabalhadores que iam para o trabalho ou voltavam, ativistas chavistas ou elementos das forças da ordem [11] . É por isso que os media falam de mortes em geral – para que se acredite que se trata de “mortos pelo regime.” A lista dos “mortos” serve para aumentar o apoio global à desestabilização: há nestes assassinatos, é terrível constatá-lo, o efeito de uma encomenda para os media.

Qualquer manifestante que mata, destrói, agride, tortura, sabota sabe que será santificado pela mídia internacional. Estes tornaram-se um incentivo para perseguir o terrorismo. Todos os mortos, todas as sabotagens econômicas serão atribuídas ao “regime”, incluindo dentro da Venezuela, onde a mídia, como a economia, é na sua maioria privada. Que a democracia participativa que é a da Venezuela tente defender-se como compete a todo o Estado de direito, vai ser imediatamente denunciada como “repressiva”. Quem ouse punir um terrorista, e isto o tornará de imediato um “preso político”. Para o jornalista e sociólogo argentino Marco Teruggi “; uma intervenção na Venezuela, o governo dos Estados Unidos tem condições mais favoráveis do que tinha para bombardear a Líbia, tendo em conta o fato de que a União Africana tinha condenado essa intervenção quase por unanimidade. (..) Tudo depende da capacidade da direita manter mais tempo o braço de ferro na rua como espaço político. Donde a importância de manter a caixa de ressonância mediática”. [12]

terça-feira, 2 de maio de 2017

Exército Vermelho salvou humanidade do nazismo

PCB- No capitalismo, as guerras são fruto da concorrência entre as classes dominantes de diferentes nações pelo domínio do planeta. 
Na Primeira Guerra Mundial, formaram-se dois blocos imperialistas opostos: Tríplice Aliança (Impérios Alemão, Austro-Húngaro e Turco-Otomano) e a Tríplice Entente (Impérios Inglês, Francês e Russo).
O sol nasce vermelho

Algo novo, entretanto, surgiu durante a Primeira Guerra Mundial: a revolução socialista de outubro de 1917, na Rússia; nova cisão ocorria no mundo, agora dividido em dois sistemas adversos: o capitalismo e o socialismo.
Os dois blocos capitalistas passaram a ter um objetivo comum: a destruição do primeiro Estado operário-camponês da história, em vista da restauração do capitalismo em escala global. Foi com este propósito que o bloco vencedor investiu na economia alemã 15 bilhões de marcos em seis anos (1924-1929).
Quando o nazismo se apossa da Alemanha e explicita seu intento de domínio mundial, as potências capitalistas dominantes não tratam de combatê-lo. Ao contrário, fecham os olhos às suas agressões e até incentivam o monstro nazista a direcionar seu ataque contra a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
Em 1939, a URSS propôs à Inglaterra e França um pacto para ações militares conjuntas se os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), bloco nazifascista, iniciassem a guerra na Europa. Não houve rejeição formal, mas nenhum passo foi dado por parte dos países capitalistas para concretizar o pacto. Ao contrário, França e Inglaterra firmaram com Alemanha e Japão acordos de não-agressão. Deixada sozinha, em agosto de 1939, a URSS assinou com a Alemanha um tratado de não-agressão. Os dirigentes sabiam que, mais cedo ou mais, tarde Hitler romperia o acordo, mas conseguiram ganhar um tempo valioso para transferir parte de suas indústrias para o leste do grande território soviético, bem como reforçar sua capacidade de defesa militar.
De 1938 a 1941, Hitler ocupou Áustria, Checoslováquia, Polônia, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Noruega, Grécia, Iugoslávia e finalmente a própria França. Na Europa central e oriental, a Alemanha adquiriu imensa quantidade de material de combate, meios de transporte, matérias-primas, materiais estratégicos e força de trabalho, tornando-se forte o suficiente para atacar a URSS.
Hitler, no livro MeinKampf (Minha Luta), proclamou: “…tratando-se de obter novos territórios na Europa, deve-se adquiri-los principalmente à custa da Rússia”.

A invasão hitlerista foi impiedosa. “Fuzilavam em massa as pessoas (mulheres, crianças, idosos, montavam campos de morte, deportavam para trabalho forçado na Alemanha. Por onde passavam, não deixavam pedra sobre pedra”. Era a política do extermínio. “Eu tenho o direito de destruir milhões de homens de raça inferior que se multiplicam como vermes” (Hitler).
Em resposta, o governo, o Partido Bolchevique e o povo soviético lançaram a palavra de ordem: “Morte aos invasores fascistas, tudo para a frente! Tudo para a vitória!”. Às fileiras do Exército Vermelho se integraram milhões de homens. Criaram-se também inúmeros regimentos de milícia popular, contando com dois milhões de combatentes.
Formou-se ainda na retaguarda uma força guerrilheira massiva. A dedicação e bravura do povo soviético comoveram o mundo e foram decisivas para quebrar a resistência capitalista (EUA, Inglaterra, França). Formou-se finalmente o bloco aliado, antifascista, a frente única dos povos pela democracia.
Caíra por terra a ideia de Hitler de que a ocupação da URSS seria um passeio uma “guerra relâmpago”. Os nazistas não imaginavam a resistência que encontrariam nas principais cidades: Leningrado, Stalingrado, Kiev e Moscou, entre tantas. Homens, mulheres, idosos e crianças se ergueram como muralha inexpugnável.
Os feitos do povo soviético repercutiram no mundo inteiro, levando um jornal burguês como o STAR, de Washington, a publicar: “Os sucessos da Rússia na luta contra a Alemanha hitleriana revestem-se de grande importância não só para Moscou e o povo russo, como também para Washington, para o futuro dos Estados Unidos. A história renderá homenagens aos russos por terem suspendido a guerra relâmpago, pondo em fuga o adversário”.
Em junho de 1942, os invasores avançam, mas encontram uma barreira instransponível em Stalingrado. Durante sete meses de combate, os invasores perderam 700.000 soldados e oficiais, mais de mil tanques, dois mil canhões e morteiros, 1.400 aviões. Os invasores eram tecnicamente superiores, mas, em novembro de 1942, os números já se invertiam em favor dos soviéticos. Os alemães estavam com 6.200.000 soldados, os soviéticos com 6.600.000; 5.000 tanques invasores contra 7.000 soviéticos; 51.000 peças e morteiros contra 77.000.
Na derrota do Stalingrado, os nazistas perderam 1,5 milhões de soldados e oficiais. “… Do ponto de vista moral, a catástrofe que o exército alemão sofreu nos acessos de Stalingrado teve um efeito sob o peso do qual ele não pôde mais reerguer-se”. (A segunda guerra mundial, B.Lideel Hart)
Depois, ocorreu a vitória do Cáucaso e se iniciou processo de expulsão em massa dos ocupantes nazistas. “A União Soviética pode orgulhar-se das suas heroicas vitórias”, escreveu o presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, acrescentando: “…os russos matam mais soldados inimigos e destroem mais armamentos do que os outros 25 estados das Nações Unidas no conjunto”.
O final de 1943 marca a virada na frente soviética e na Segunda Guerra em geral. O movimento contra o nazifascismo se consolidou e se ampliou em todo o planeta.
Em junho de 1944, com o exército alemão batido em todas as regiões da URSS, as tropas anglo-americanas desembarcaram no Norte da França, dando início à frente ocidental proposta pelo governo soviético desde o início da invasão.
Pode-se dizer que a essa altura a guerra estava decidida, diante da derrota alemã na Rússia. O próprio Winston Churchil, primeiro-ministro britânico, reconhece o papel fundamental dos soviéticos, no discurso pronunciado na Câmara dos Comuns, em julho de 1944: “….Considero meu dever reconhecer que a Rússia mobiliza e bate forças muitíssimas maiores que as enfrentadas pelos aliados no Ocidente, que, há longos anos, ao preço de imensas perdas, ela suporta o principal fardo da luta em terra”.
Um Exército Libertador

Apesar de imensas perdas, o Exército Vermelho avançou no encalço dos alemães pela Europa Oriental adentro, fustigando os nazistas e auxiliando as forças populares da resistência a derrotarem os ocupantes e seus colaboradores internos. Repúblicas democrático-populares foram instaladas com os partidos comunistas à frente na Polônia, Hungria, Iugoslávia, Checoslováquia, Romênia e Bulgária.

Presidente Maduro convoca Poder Constituinte originário do povo

Muito  diferente  dos   entreguistas e  fascistas   que, no  Brasil,  deram o  golpe  na  Constituição  de  1988 e depuseram um  governo  legitimado pelo  voto,  o  governo  venezuelano  propõe  uma  Assembleia  Nacional Constituinte   dando  ao povo  todo o direito  de  se manifestar e, o  que é  mais  notável  e importante,   sugere  a preservação  de  muitos  avanços  que a classe  trabalhadora  conseguiu  alcançar  com o  modelo  econômico  Chavista. 

 Tudo  isso  com um intuito  muito  bonito,    popular  e  livre:  impedir  que o  caos e  a violência  aumentem  no país  como  desejam  os  fascistas   assassinos.
As  mídias  corporativas,  insufladoras   do  golpe  brasileiro, jamais  divulgarão isso.  Quando  reportarem  a  essa  questão, estejam  certos,   deturparão  os fatos   seguindo assim o comando  dos    criminosos  de Washington.  Não poderia ser  diferente.  A  direita  política  é  a mesma  aqui  ou  em qualquer  lugar  do planeta.  Ela é  suja, profundamente desprezível  e   ousada  em  seus objetivos.    Todavia  algo  é  certo:  Ela  jamais   conseguirá perpetuar  seus  feitos.   É  tudo  uma questão de tempo.


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Caracas-  AVN.- O presidente Nicolás Maduro convocou nesta segunda-feira, 1º de maio, uma Assembleia Nacional Constituinte, conforme o estabelecido no artigo 347 da Carta Magna, com o objetivo de preservar a paz e a estabilidade da República.

"Hoje 1º de maio anuncio que, no uso de minhas atribuições presidenciais (...) e de acordo com o artigo 347, convoco o Poder Constituinte originário para que a classe operária e o povo, em um processo popular constituinte convoque uma Assembleia Nacional Constituinte (...) É a hora, é o caminho", disse o presidente durante discurso na avenida Bolívar de Caracas para celebrar o Dia do Trabalhador.

Maduro detalhou que este processo está aberto para dar todo o poder ao povo e transformar o Estado com a criação de uma nova Carta Magna que seja profundamente comunal e operária.

"Eu convoco o Poder Constituinte originário para conseguir a paz que necessita a República, para derrotar o golpe fascista e para que seja o povo, com sua soberania, que imponha a paz, a harmonia, o diálogo nacional verdadeiro", acrescentou Maduro.

O artigo 347 estabelece que o povo venezuelano "é o depositário do poder constituinte originário" e que, por isso, pode convocar a  Constituinte para "transformar o Estado, criar um novo ordenamento jurídico e redigir uma nova Constituição".

"Necessitamos transformar o Estado, sobretudo essa Assembleia Nacional podre que está aí (...) Tudo o que façamos será fortalecer a Constituição pioneira, a sábia, a Constituição Bolivariana de 1999. Ativo o Poder Constituinte para que o povo tome todo o poder da pátria", ressaltou o chefe de Estado.

Maduro acrescentou que esta constituinte deve ser cidadã, em união cívico-militar e não de partidos políticos nem de elites. "Uma constituinte cidadã, operária, comunal, missioneira, camponesa, feminista, da juventude, dos estudantes, indígena, mas sobretudo uma constituinte operária, profundamente comunal", enfatizou.

A Constituição outorga, igualmente, ao Presidente da República a potestade de fazer a convocatória, em seu artigo 348. Por sua parte, o artigo 349 da Carta Magna estabelece que o Presidente da República "não poderá objetar a nova Constituição. Os poderes constituídos não poderão de forma alguma impedir as decisões da Assembleia Nacional Constituinte. Após sua promulgação, a nova Constituição será publicada na Gazeta Oficial da República Bolivariana da Venezuela ou na Gazeta da Assembleia Nacional Constituinte".

Grandes Missões devem estar na Constituição

O presidente Maduro propôs que as grandes missões sociais, assim como os direitos da juventude venezuelana formem parte da Constituição da República Bolivariana da Venezuela.

"Eu quero que constitucionalizemos todas as missões e grandes missões, incluindo a Vivienda, para que ninguém nunca mais tire a moradia do povo (...) Eu quero constitucionalizar a Missão Bairro Adentro da saúde para que ninguém, nunca, possa privatizá-la. Eu quero constitucionalizar a Missão Transporte. Quero constitucionalizar os Clap e a Missão Alimentação. Quero constitucionalizar a Grande Missão Bairro Novo, Bairro Tricolor; junto à Missão Vivienda. Mas também, eu quero que nos atualizemos e façamos um capítulo especial para deixar gravado os direitos da juventude e dos estudantes venezuelanos", destacou.

Maduro informou que entregará ao Conselho Nacional Eleitoral as bases desta convocação, para que o poder popular possa eleger, por voto direto, os constituintes que acreditam na nova Constituição.

"Vou entregar nas próximas horas ao Poder Eleitoral as bases eleitorais desta convocação. Vai ser uma constituinte eleita, com voto direto do povo, para eleger uns 500 constituintes aproximadamente. Uns 200-250 eleitos pelas bases", explicou.

O presidente venezuelano exortou toda a população a manter-se firme na defesa do legado do comandante Hugo Chávez, que foi o primeiro a convocar uma Assembleia Nacional Constituinte em 1999, com o objetivo de reformar a Constituição de 1961.

"Chegou o dia. Não falhem. Não falhemos com Chávez, não falhemos com a pátria", disse.

Debate nas ruas

O presidente Maduro exortou o poder popular a debater, nas ruas, o processo constituinte, como apoio de uma comissão presidencial que levará a proposta para a consulta das bases populares do que será o sistema de eleição e o alcance deste novo processo.

"Esta comissão vai ser presidida pelo constituinte Elías Jaua Milano e ali estarão participando: Aristóbulo Isturiz, vice-presidente da pioneira (constituinte), Hermann Escarrá, Isaías Rodríguez, Earle Herrera, Cilia Flores, Delcy Rodríguez, Iris Varela, Noelí Pocaterra e Francisco Ameliah", esclareceu.

domingo, 30 de abril de 2017

Armas dos EUA contra Síria e Iêmen partem da Europa.

                                         Manlio Dinucci
O regime dos EUA faz crer que lutaria contra os jihadistas. Mas continua enviando armas, a partir da Europa "democrática" àqueles terroristas.

Leva o nome de Liberty Passion, ou seja "Paixão pela Liberdade". É um enorme, moderníssimo navio cargueiro norte-americano do tipo Ro/Ro [abrev. Roll-on/roll-off, de "embarque e desembarque sobre as próprias rodas"] – concebido para transportar veículos –, de 200 metros de comprimento, 12 conveses e superfície total de mais de 50 mil m2, com capacidade para transportar o peso equivalente a 6.500 automóveis.

Esse navio, propriedade da empresa norte-americana Liberty Global Logistics, fez a sua primeira escala – dia 24/3/2017 – no porto de Livorno, Itália. Assim começou oficialmente uma conexão regular entre Livorno e os portos de Aqaba, na Jordânia, e de Jeddah, na Arábia Saudita, servida mensalmente pelo Liberty Passion e outros dois navios similares, o Liberty Pride ("Orgulho da Liberdade") e o Liberty Promise ("Promessa de Liberdade"). A inauguração dessa linha de transporte foi celebrada como "festa para o porto de Livorno".

O significado de uma bandeira queimada pela oposição na Venezuela

                                                                  
                                       
 Aline   Pérez Neri   
Dê-me Venezuela em que servir, ela tem em mim um filho”.
Quando a  ignorância, a impotência, a teimosia, o ódio e o ressentimento vão de  mãos  dadas,  o  resultado  é  esta imagem que se tornou viral na rede da “pacífica e democrática” oposição venezuelana, a qual esse norte violento e brutal  manipula  igual uma marionete de papel.
Que atrevimento!
Indignação é a primeira sensação que qualquer ser humano que se considere digno sente ao vê-los queimando a bandeira cubana, bandeira da solidariedade imensa e até desmedida, a dos valores e princípios, a que não se deixa nem deixará pisotear. A da firme consigna feita ação de “Não à guerra, sim à paz”.
A bandeira de Cuba, potência humanitária, a que alfabetizou em torno de 10 milhões de pessoas e tem mais de 50 mil de seus trabalhadores da saúde colaborando em missões nos cantos mais recônditos do mundo, aqueles onde nem sequer os médicos das nações fazem presença.

 A que ofereceu mais de 600 milhões de consultas médicas gratuitas e com a qual salvou mais de 1 milhão e 750.000 mil cidadãos venezuelanos, com sua Missão Bairro Adentro, um dos programas de colaboração entre ambos países. Essa que tem mais de 46 mil colaboradores em quase 20 programas sociais em benefício do povo bolivariano. A que operou mais de 2 milhões e meio de seus cidadãos, de maneira totalmente gratuita. A que ensinou a ler e a escrever quase 3 milhões de analfabetos.

domingo, 16 de abril de 2017

Jornalismo degradado e degradante.

"Vê-se aí um padrão bem claro. Para obter apoio das populações para suas guerras ilegais para mudança ilegal de regime, o establishment ocidental promove ativa e empenhadamente incontáveis “falsas notícias”, como se fossem notícias não falsas. Para assegurar a “credibilidade” das notícias realmente falsas, elas são publicadas em veículos indiscutivelmente “sérios” e passam a ser regularmente repetidas por quantos comentaristas intervencionistas golpistas o dinheiro consiga comprar, como a causa “indiscutível” da importância e da urgência de se agir contra o tal Estado alvo. Fontes “anônimas” são sempre citadas nessas histórias, a maioria das quais, como a Operação Apelo de Massa do MI6, são muito frequentemente plantadas pelos serviços de segurança.”                Neil   Clark




 Nota  do  blog:   Observe    que essa fala  caberia muito  bem, coincidentemente  ou não,  a  imprensa  brasileira.   Na verdade  a  diferença  é   nenhuma.    Hipocrisias  impensáveis   associadas    a   ausência  impressionante  de caráter,  tudo    isso somado   a  algo  até difícil  de  caracterizar  devido  a  sua vileza,  vai  dar  nisso.   São os meios de comunicação  do Brasil  atualmente.  A   única  exceção é a  imprensa progressista.      É. é  isso.           Muito, muito  triste!

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Houve um tempo em que a distinção entre fatos e opiniões era uma prática bem estabelecida no jornalismo, assim como a distinção entre a mentira e a verdade. Hoje isso não é mais assim e os próprios jornalistas que trabalham nas mídias corporativas são, em grande medida, responsáveis por esta degradação. Consciente ou inconscientemente, a maior parte destes profissionais perdeu qualquer capacidade de análise ou de juízo crítico. Aceitam como verdadeiras as mentiras mais inverossímeis.
Basta ver, por exemplo, o semanário Expresso* de 08/Abril/2017. Nunca, em momento algum, os vários jornalistas que ali escreveram sobre a agressão à Síria puseram em causa a versão dos EUA de que o governo Assad teria utilizado armas químicas contra o seu próprio povo. Os leitores desse semanário nem sequer tiveram o direito do contraditório, princípio básico do jornalismo.       A mentira passa assim por verdade pura e cristalina.

Nenhum destes escrevinhadores que se intitulam jornalistas aprendeu com a História. O cinismo ou a ignorância imperam entre eles. As mentiras sucessivas do governo dos EUA para lançar guerras são pura e simplesmente ignoradas. A mentira do incidente do Golfo de Tonquim, tramada pelos EUA para lançar a guerra do Vietnam, não existe para esta gente do Expresso, dos comentaristas da TV ou das folhas de papel corporativas.

sábado, 8 de abril de 2017

Pentágono treinou "rebeldes" da Al Qaeda na Síria na utilização de armas químicas

                                                                                                  Michel Chossudosvsky

As  mídias ocidentais refutam as suas próprias mentiras. Elas não só confirmam que o Pentágono tem estado a treinar os terroristas na utilização de armas químicas como também reconhecem a existência de um não tão secreto "plano apoiado pelos EUA para lançar um ataque com armas químicas na Síria e culpar o regime de Assad" .


O Daily Mail de Londres, num artigo de 2013, confirmou a existência de um projeto anglo-americano endossado pela Casa Branca (com a assistência do Qatar) para efetuar um ataque com armas químicas na Síria e atribuir a culpa a Bashar Al Assad.

O artigo seguinte no Mail Online foi publicado e a seguir removido. Note-se o discurso contraditório: "Obama emitiu advertência ao presidente sírio Bashar al Assad", "Casa Branca dá sinal verde a ataque com armas químicas".
Esta reportagem no Mail Online publicada em Janeiro de 2013 foi removida a seguir.
Para mais pormenores clique aqui .
O treino do Pentágono de "rebeldes" (também conhecidos como terroristas do Al Qaeda) na utilização de armas químicas.

A CNN acusa Bashar Al Assad de matar seu próprio povo enquanto também reconhece que os "rebeldes" não só estão na posse de armas químicas como também que estes "terroristas moderados" filiados à Al Nusra são treinados na utilização de armas químicas por especialistas sob contrato com o Pentágono.
Numa lógica enviesada, o mandato do Pentágono era assegurar que os rebeldes alinhados com a Al Qaeda não adquiririam ou utilizariam ADM, ao realmente treiná-lo na utilização de armas químicas (soa contraditório):


Esta reportagem no Mail Online publicada em Janeiro de 2013 foi removida a seguir.
Para mais pormenores clique aqui.

"O treino [em armas químicas], o qual está a realizar-se na Jordânia e na Turquia, envolve como monitorar e proteger stocks de matérias-primas e manusear sítios e materiais com armas, de acordo com as fontes. Alguns dos empreiteiros estão no terreno na Síria a trabalhar com os rebeldes para monitorar alguns dos sítios, segundo um dos responsáveis.

A nacionalidade dos treinadores não foi revelada, embora os responsáveis previnam contra a hipótese de serem todos americanos. ( CNN , 09/Dezembro/2012).

Da Ditadura genocida à concentração e miserabilização atual

Julio C  Gambina,

Há 41 anos, um golpe militar instaurou na Argentina a ditadura mais sangrenta da sua história. Mas os interesses que esses militares defenderam através da mais bárbara repressão e de um violentíssimo terrorismo de Estado tiveram e têm continuidade no quadro constitucional posterior a 1983. São os interesses do grande capital, contra os interesses e direitos e contra a ação organizada dos trabalhadores e do povo.

A 41 anos do golpe genocida de 24 de Março de 1976 há que fazer memoria e recuperar os objetivos então propostos pelas classes dominantes para considerar quanto alcançaram e como o aprofundam na atualidade.

Com o terror de Estado exerceu-se a “necessária” violência para reestruturar a economia, o estado e a sociedade, e por isso a cultura do medo, mediante a repressão explícita, para obter uma férrea disciplina social. Por isso não deve surpreender a argumentação ideológica no presente contra a mobilização social em defesa dos direitos dos de baixo. É a cultura repressora da dominação que defende o direito a circular juntamente com os de propriedade, contra os dos trabalhadores, seus salários e condições de emprego.

Sim, há matizes em 41 anos, não é o mesmo a ditadura e os governos constitucionais, não necessariamente “democráticos”; mas existem algumas regularidades institucionais que atravessam todo o período.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Coreia do Norte: O grande embuste revelado

Christopher  Black *

Em 2003, com alguns advogados americanos, membros da Associação Nacional de Advogados, tive a oportunidade de viajar na Coreia do Norte, isto é, na República Popular Democrática da Coreia (RPDC), a fim de ter uma experiência em primeira mão desse país, do seu governo socialista e do seu povo.

Publicado no nosso retorno, este artigo foi intitulado "O grande embuste revelado". O título foi escolhido porque descobrimos que o mito pejorativo da propaganda ocidental sobre a Coreia do Norte é um enorme embuste concebido para esconder as realizações dos norte-coreanos, que conseguiram criar suas próprias condições de desenvolvimento, o seu próprio sistema socioeconómico independente, baseado nos princípios do socialismo, livre do domínio das potências ocidentais.

Durante um dos nossos primeiros jantares em Pyongyang, o nosso anfitrião, Ri Myong Kuk, um advogado, disse em termos apaixonados, em nome do governo, que a força de dissuasão nuclear da RPDC é necessária dadas as ações e ameaças dos EUA e aliados contra o seu país. Ele disse-o, e foi-me repetido mais tarde durante a minha viagem, numa reunião de alto nível com representantes do governo da RPDC, que se os americanos assinassem um tratado de paz e um acordo de não-agressão com a RPDC, isso tornaria a ocupação ilegítima e levaria à reunificação da Coreia. Assim, não haveria mais necessidade de armas nucleares. Com sinceridade disse: "é importante que os advogados se reúnam para falar sobre isto, porque os advogados regulam as interações sociais no seio da sociedade e do mundo" e acrescentou que de boa-fé, "o caminho para a paz requer a abertura do coração".

Pareceu-nos então, e é agora evidente, que, em absoluta contradição com o que dizem os meios de comunicação ocidentais, o povo da RPDC quer paz mais do que qualquer outra coisa. Ele quer continuar com as suas vidas e ocupações sem a ameaça constante de ser exterminado pelas armas atómicas dos EUA. Mas, na verdade, por que são ameaçados de serem exterminados e de quem é a culpa? Não é a sua.

Mostraram-nos documentos dos EUA apreendidos durante a guerra da Coreia. Trata-se de provas irrefutáveis que a UE tinha planeado atacar a Coreia do Norte em 1950. O ataque foi realizado pelas forças armadas dos EUA e da Coreia do Sul, ajudadas por oficiais do exército japonês, que tinham invadido e ocupado Coreia anteriormente durante décadas. Os EUA pretenderam então que a defesa e o contra ataque eram uma "agressão", os media foram manipulados .;para incentivar as Nações Unidas a apoiar uma "operação policial", eufemismo escolhido para descrever a sua guerra de agressão contra a Coreia do Norte. Isso resultou em três anos de guerra e 3,5 milhões de vítimas coreanas. Desde então, os EUA ameaçam de guerra iminente e aniquilação.

Em 1950, uma vez que a Rússia não estava presente no Conselho de Segurança, a votação das Nações Unidas a favor da "operação policial" foi ela própria ilegal. Ao abrigo dos regulamentos internos, o quórum no Conselho de Segurança exige a presença de todas as delegações membros. Todos os membros devem estar presentes, caso contrário não pode se realizar a sessão. Os americanos aproveitaram a ocasião do boicote dos russos ao Conselho de Segurança, introduzido para defender a posição da República Popular da China, que deveria ter lugar à mesa do Conselho de Segurança e não o governo derrotado do Kuomitang. Como os americanos se recusaram a conceder esse direito, os russos recusaram sentar-se à mesa até que o governo chinês legítimo o pudesse fazer.

Os americanos aproveitaram esta oportunidade para fazer uma espécie de golpe de estado nas Nações Unidas. Tomando o controle dos seus mecanismos, utilizaram-nos para os seus próprios interesses. Organizaram-se com os britânicos, os franceses e os chineses do Kuomintag, para apoiar a guerra na Coreia, na ausência dos russos. Os aliados, como os americanos lhes tinham pedido, votaram a favor da guerra contra a Coreia, mas a votação foi inválida e a operação da polícia não foi uma operação de manutenção da paz, nem justificada pelo capítulo VII da carta das Nações Unidas, dado que o artigo 51, estipula que as nações têm o direito de se defender contra qualquer ataque armado – justamente o que tinham de fazer os norte coreanos. Mas os EUA nunca se preocuparam muito com a legalidade. E não se preocuparam em todo o seu projeto, que era conquistar e ocupar a Coreia do Norte, como um passo para invadir a Manchúria e a Sibéria e a legalidade não ia impedi-los de prosseguir esse caminho.

domingo, 5 de março de 2017

Arma nuclear é o melhor remédio de justiça diante da ameaça opressora

"A crescente campanha nuclear dos Estados Unidos empurrou a RPDC a tomar a última opção de responder às armas nucleares no mesmo nível e dispor da bomba H e outras ogivas nucleares minimizadas, dos meios de ataque estratégicos sofisticados.
Graças a posse de armas nucleares pela RPDC, se diminuiu consideravelmente o perigo de estalo da guerra nuclear na Península Coreana e a era de ameaça nuclear unilateral dos EUA passou ao tempo que as forças hostis já não podem dormir tranquilamente"

 KCNA- Já passaram 59 anos desde que os EUA tornaram pública a introdução das suas armas nucleares no Sul da Coreia.

Em 29 de janeiro de 1958, os EUA publicaram oficialmente a implantação do míssil nuclear Honest John no solo sul-coreano e no mês seguinte, as expos ao mundo.

Cerca de seis décadas desde então, incrementou gradualmente o número de armas nucleares estadunidenses colocadas no Sul da Coreia, especificamente, mais de mil na década de 1970 e mais de 1720 na década de 1990.

Esses armamentos são os meios de agressão e de hegemonia dos EUA para esmagar a RPDC e conquistar todo o mundo tomando-a como trampolim.

E faz muito tempo que o império elaborou a política de uso de arma nuclear quando desate a segunda guerra coreano dizendo que “sofreu a derrota na passada guerra coreana por não ter usado a bomba atômica”.

Segundo esta, em julho de 1957, anunciou publicamente o começo do armamento nuclear das suas tropas ocupantes do Sul da Coreia e estimulou a implantação de armas nucleares na frente avançada, de modo que o solo sul-coreano se convertesse no maior arsenal nuclear do Extremo Oriente.

Os Estados Unidos fixaram a RPDC como alvo de ataque preventivo nuclear, complementou incessantemente com conteúdo mais criminoso os planos de guerra nuclear anti-RPDC, e ao mesmo tempo, os exercitou constantemente através das manobras militares conjuntas com o Sul da Coreia.

Recentemente, prometeu com os títeres sul-coreanos desenvolver em maior envergadura da história as simulações conjuntas anti-RPDC Key Resolve e Foal Eagle.

Os EUA são o fator de provocação da guerra nuclear anti-RPDC e o causador do problema nuclear na Península Coreana.

A crescente campanha nuclear dos Estados Unidos empurrou a RPDC a tomar a última opção de responder às armas nucleares no mesmo nível e dispor da bomba H e outras ogivas nucleares minimizadas, dos meios de ataque estratégicos sofisticados.

Graças a posse de armas nucleares pela RPDC, se diminuiu consideravelmente o perigo de estalo da guerra nuclear na Península Coreana e a era de ameaça nuclear unilateral dos EUA passou ao tempo que as forças hostis já não podem dormir tranquilamente.

sábado, 4 de março de 2017

Eleições no Equador: um triunfo em risco

Juan J. Paz e Miño Cepeda*
Nas recentes eleições no Equador a Alianza País ficou à frente. Mas os seus candidatos à presidência e à vice-presidência não obtiveram votos suficientes para ganhar no primeiro turno. E não será fácil vencerem no segundo, porque não só a direita e o imperialismo apostarão tudo na outra candidatura, como se verificou uma deslocação do apoio em setores populares.

No domingo, 19 de Fevereiro de 2017, realizaram-se no Equador eleições para presidente e vice-presidente, membros da Assembleia Nacional, Parlamentares Andinos e uma consulta popular para que os funcionários públicos e dignatários não possam ter capitais em paraísos fiscais.
O SIM ganhou na consulta (com pelo menos 55%); e Alianza País (AP) terá maioria na Assembleia (previstos 64 dos 138 lugares) e ganha no Parlamento Andino.

E o Executivo?

Todas as empresas de sondagens previram o triunfo do binômio de AP Lenin Moreno/Jorge Glas. Mas a contagem oficial, por parte do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e sobre a base de 98.5% dos boletins de votos escrutinados (quarta-feira, 22 de fevereiro), atribuiu a esse binômio 39.33% e ao ex-banqueiro Guillermo Lasso 28.19%. Moreno ficou praticamente a um ponto de atingir os 40% requeridos (e além disso ter pelo menos 10 pontos de vantagem sobre o candidato seguinte), para ganhar no primeiro turno. O CNE admitiu que haverá segundo turno.

Mas essa diferença deu ânimo à direita política, econômica e midiática que apoiou o banqueiro. Numa bem orquestrada estratégia, antes do processo eleitoral, não só lançaram uma “campanha suja” como difundiram a ideia de que se preparava uma “fraude eleitoral”; e, com os resultados em marcha, ativaram outros mecanismos indubitavelmente já preparados: vídeos de indivíduos detidos com mochilas cheias de votos já preenchidos; simpatizantes de Lasso convocados a sair às ruas, exigir o segundo turno antes ainda de os resultados oficiais serem conhecidos e vociferar contra a escandalosa “fraude”.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Ameaças.


                                                                      Jorge Cadima
Avante-  O Chefe de Estado Maior do Exército dos EUA, Gen. Milley, ameaçou num discurso oficial: «quero ser muito claro com aqueles que se tentam opor aos Estados Unidos […] vamos travar-vos e vamos esmagar-vos de forma mais dura do que alguma vez vos tenham esmagado» (no YouTube, e citado em www.military.com, 5.10.16). A ameaça é dirigida à segunda maior potência nuclear do planeta, a Rússia. Outra ameaça veio do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros dos EUA: «grupos extremistas irão expandir as suas operações, incluindo – sem qualquer dúvida – ataques a interesses russos, talvez mesmo contra cidades russas» (NYT, 29.9.16). Um editorial do New York Times (29.9.16) tem o título «O Estado fora-da-lei de Vladimir Putin». Porquê tamanha histeria contra a Rússia capitalista?

O acordo de cessar-fogo na Síria, assinado por Kerry e Lavrov, foi enterrado em poucas horas pelo ataque dos EUA que matou quase 100 soldados sírios que defendiam a cidade de Deir-ez-Zor, cercada pelo ISIL. Ataque que Kerry afirmou ter sido um «erro», mas sobre o qual o Chefe de Estado Maior General dos EUA, Gen. Dunford, tem outra opinião: «pode ser que, após concluída a investigação [...] digamos que voltaríamos a fazer o que fizemos» (Reuters, 19.9.16).

A aparente insubordinação militar vinha de trás: oNew York Times (13.9.16) deu (timidamente) conta duma conferência de imprensa no Pentágono em que os militares dos EUA se recusavam a prometer cumprir a sua parte do acordo assinado por Kerry. Já aquando da sua nomeação, o Gen. Dunford afirmara que «a Rússia era a principal ameaça aos EUA», referindo «como as mais importantes ameaças seguintes à segurança dos EUA, e por essa ordem, a China, a Coreia do Norte e o Estado Islâmico» (Washington Post, 9.7.15).

O ministro da Defesa de Obama concorda: «Ashton Carter listou a hierarquia de ameaças aos Estados Unidos, que incluía a China, a Coreia do Norte, o Irão e, por fim, a luta contra o terrorismo. Mas o seu alvo prioritário foi a Rússia» (editorial do NYT, 3.2.16). Num artigo na USA Today (11.2.16), com o título «Wesley Clark: Na Síria, a Rússia é a verdadeira ameaça», o ex-chefe da NATO na guerra contra a Jugoslávia afirma «temos de reconhecer que [...] a ameaça maior é a Rússia». Afirmando que «Bashar al-Assad e a Rússia estão a ganhar no terreno», Clark acrescenta: «não podemos deixar que [...] os jihadistas "bons" financiados pelos nossos aliados sejam marginalizados». A ficção da «luta contra o terrorismo» deixa cair a máscara.
 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Acampamento do Levante: analistas políticos defendem “Fora, Temer” e “Diretas Já"

Cerca de 7 mil jovens recebem João Pedro Stedile, do MST, e Beatriz Cerqueira, da CUT, para fazer análise de conjuntura

Norma Odara Fes   Enviada especial a Belo Horizonte (MG), 06 de Setembro de 2016 às 16:37- Brasil de Fato
O segundo dia do 3º Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude foi marcado por uma análise de conjuntura para debater com lideranças a respeito da conjuntura política, do golpe contra a democracia e do papel da juventude em todo este processo.
  Mesa do segundo dia do 3º Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude     
O evento, que conta com mais de 7 mil jovens de todas as partes dos Brasil, está acontecendo no Estádio do Mineirinho, na região da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). 
                                       
“Estamos aqui porque somos juventude da classe trabalhadora. Lutar não é apenas uma escolha. É uma necessidade, uma questão de sobrevivência”, brada Jessy Dayane, integrante da direção nacional do Levante Popular da Juventude, que compôs a mesa inicial da manhã desta terça-feira (6).

Também participou a professora e presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT Minas), Beatriz Cerqueira, e o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stedile.

Eles defenderam o tripé ideológico do “Fora, Temer”, “Diretas Já” e “Nenhum direito a menos” e enfatizaram a importância de não abandonar as ruas e de a juventude resistir em unidade com os trabalhadores e trabalhadoras.

Economia

Stedile elencou fatores que caracterizam a atual crise econômica, política, social e ambiental pela qual passa o mundo, e explicou que esses fatores externos influenciaram o golpe no Brasil.

“O plano da burguesia é simples: tentar recuperar a taxa de lucro de suas empresas e recompor o ambiente econômico de acumulação do capital”, explicou. "O golpe é uma estratégia de apropriação dos nossos recursos naturais, como o pré-sal. Além disso, o golpe serve para realinhar a economia brasileira aos interesses norte-americanos" , completou.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

EUA: assim funciona o sistema de assassinatos

JEREMY SCAHILL

Quase dez mil “inimigos” de Washington já foram mortos por meio de drones. Como são escolhidos os alvos. Qual o papel de Obama. Por que tantos civis são liquidados “por engano”

                              Por Jeremy Scahill
O texto a seguir é um excerto do novo livro The Assassination Complex, de Jeremy Scahill & equipe do The Intercept (Simon & Schuster, 2016), que será publicado no Brasil pela Autonomia Literária, editora parceira de Outras Palavras.


Desde seus primeiros dias como comandante em chefe, o presidente Barack Obama fez do drone sua arma preferida, usada pelos militares e pela CIA para perseguir e matar as pessoas que seu governo considerou – por meio de processos secretos, sem acusação ou julgamento – merecedores de execução. A opinião pública tem colocado foco na tecnologia do assassinato remoto, mas isso tem servido frequentemente para evitar que se examine em profundidade algo muito mais crucial: o poder do Estado sobre a vida e a morte das pessoas.

Os drones são uma ferramenta, não uma política. A política é de assassínio. Embora todos os presidentes norte-americanos, desde Gerald Ford, mantivessem uma norma executiva que bania assassinatos por funcionários dos EUA, o Congresso evitou legislar sobre esse assunto ou até definir a palavra “assassinato”. Isto permitiu que os proponentes de guerras por meio de drones renomeassem assassinatos [assassinations] com adjetivos mais palatáveis, como o termo da moda, “mortes seletivas” [targeted killings].

Quando discutiu publicamente os ataques por drones, o governo Obama ofereceu garantias de que tais operações seriam uma alternativa mais precisa do que soldados em combate. A autorização para executá-las seria dada apenas quando há uma ameaça “iminente” e “quase certeza” de que se eliminará o alvo planejado. As palavras, contudo, parecem ter sido redefinidas para não guardar quase nenhuma semelhança com seus significados comuns.

O primeiro ataque de drone fora de uma zona declarada de guerra foi realizado em 2002, mas só em maio de 2013 a Casa Branca divulgoupadrões e comportamentos para a condução desses ataques. Eram orientações pouco específicas. Afirmavam que os Estados Unidos somente conduziriam um ataque letal fora de uma “área de hostilidades ativas” se um alvo representasse uma “ameaça iminente e contínua para pessoas dos EUA”. Nada informava sobre o processo interno usado para determinar se um suspeito podia ser morto, sem processo ou julgamento. A mensagem implícita do governo Obama sobre ataques de drones tem sido: Confie, mas não verifique.

Em 15 de outubro de 2015, o site The Intercept publicou um conjunto de slides secretos que abriram uma janela para os trabalhos internos das operações militares dos EUA para assassinato/captura durante um período-chave na evolução das guerras por drone: entre 2011 e 2013. Os documentos, que também traçam a visão interna das forças especiais de operação sobre as deficiências e erros do programa de drones, foram fornecidas por uma fonte de dentro da comunidade de inteligência, que trabalhava nos tipos de operação e programas descritos nos slides. Garantimos o anonimato da fonte porque os materiais são sigilosos e porque o governo dos EUA está engajado numa perseguição agressiva contra quem denuncia suas irregularidades — os whistleblowers. Iremos nos referir a essa pessoa simplesmente como “a fonte”.

Qual é o verdadeiro objetivo das bases militares dos EUA na Argentina?

Há algumas semanas, soube-se que o governo argentino habilitaria a instalação de bases militares norte-americanos para apoiar "tarefas científicas".


 RT- Se bem que a informação foi apresentada pelo governo argentino como por diferentes meios de comunicação como um desenvolvimento com fins pacíficos, diversos analistas pensam diferente.

Em concreto, trata-se de dois projetos: um na província de Terra do Fogo, a mais austral da Argentina; e outro na chamada "tríplice fronteira" entre este país, o Paraguai e o Brasil.

"As desculpas que permitiram a Washington implementar mais de uma centena de bases militares na américa Latina, que se estendem desde a Guatemala e o Caribe até a Patagônia, são sempre altruístas", explicou o jornalista Walter Goobar. E detalhou que entre os argumentos destacam-se a suposta "ajuda humanitária, apoio em catástrofes, de combate ao tráfico de drogas ou apoio ao desenvolvimento e à pesquisa científica".

“Estas bases secretas sempre as instalados em áreas onde há recursos naturais altamente estratégicos: água, terra fértil para a produção de alimentos, minerais, óleos minerais, biodiversidade”  


Elsa Bruzzone, especialista em assuntos de geopolítica, estratégia e defesa nacional e membro do Centro de Militantes para a Democracia Argentina (CEMIDA), opinou no mesmo sentido. "Essas bases secretas sempre as instalados em áreas onde há recursos naturais altamente estratégicos: água, terra fértil para a produção de alimentos, minerais, óleos minerais, biodiversidade", disse.

"O que eles querem é fechar o cerco sobre todos os recursos naturais que temos em nossa América", acrescentou o especialista detalhou que as bases militares, "interiores e secretas, que foi instalado na américa Central e no Caribe, somadas às que têm na Colômbia, Peru, Chile, Paraguai, próximo à base militar da OTAN em Malvinas fecham o cerco sobre todos os nossos recursos naturais e reafirmam a sua presença na Antártica".

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